# Eppur è tutto vero...
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Se tudo na vida fosse tão bom como um mau blogue...
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[...] There are no reliable figures on the production of books, but many indicators suggest a severe shortage of writing; a large share of the market consists of religious books and educational publications that are limited in their creative content.
The figures for translated books are also discouraging. The Arab world translates about 330 books annually, one fifth of the number that Greece translates. The cumulative total of translated books since the Caliph Maa’moun’s time (the ninth century) is about 100,000, almost the average that Spain translates in one year (Galal, S., 1999). [...]
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Acabei de ler Free World — A América, a Europa e o futuro do Ocidente (ed. Alêtheia), de Timothy Garton Ash. Segundo a contracapa, Václav Havel descreveu-o como «Um apaixonante manifesto a favor do alargamento da liberdade e de uma nova era na política mundial».Etiquetas: Liberdade, Livros, Mundo Ocidental
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[...] gostei, sobretudo, do “por supuesto” do jornal, ao dar como natural, como não podendo ser outra coisa, o arreganho da sua Rainha.

[...] ministro holandês que tendo convidado um colega iraniano para um almoço e tendo ouvido deste que não podia haver vinho na mesa, disse [...] que não havendo vinho, não havia almoço. [...] há coisas de que não podemos abdicar. Começamos por não dizer “tchim-tchim” e passamos o resto da vida a dizer “sim-sim”.
Desde pequena, [a mulher saudita] tinha sido ensinada que tinha de andar sempre resguardada porque senão os seus cabelos, a sua boca e o seu decote fariam os homens pecar. Ela tinha de penar a inexistência para que os outros não pecassem — assim mandava o Alcorão.
[...] de trás da abaia sinistra, eu vi uma cabecinha a pensar: “Queres ver que um dia posso apanhar sol nos joelhos?” Foi uma revolução do caraças o que Dona Sofia foi fazer para a península arábica. Dar a alguém vontade de apanhar sol nos joelhos é um passo enorme para a Humanidade. Tudo começou há alguns milhões de anos, quando homens e mulheres se tornaram erectos. Um dia, todos e todas estaremos assim.
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O dr. João César das Neves, que se distinguiu pelo seu zelo católico e pelo seu grande gosto de épater a esquerda bem-pensante e analfabeta, confiscou esta semana um debate de televisão sobre a Europa, com a conivência da “moderadora” e do cardeal Sebastião Martins.A atitude do cardeal, diga-se, é coerente: não só a Igreja comunga dos fins almejados pelo “sequestro” temático, como deixar o trabalho sujo ao leigo das Neves se inscreve na longa tradição de relaxamento ao braço secular. Já a atitude da “moderadora” (não há aspas que cheguem...) é inadmissível a uma suposta profissional.
[...] a Europa nunca foi tão livre, tão próspera, tão justa e tão pacífica. Com algumas dificuldades de percurso, manifestamente. De qualquer maneira, longe da “decadência” e mais longe ainda do abismo “moral”, que tanto perturba o dr. Neves. Verdade que, como reconhece o próprio Ratzinger, a Igreja perdeu a autoridade de Estado (o inefável privilégio de impor e perseguir) e que se tornou social, ideológica e doutrinalmente periférica. Paciência. Em grosso, valeu a pena.Pois valeu. Agora falta garantir que o Islão perde o mesmo “inefável privilégio”. Ou, pelo menos, que na Europa nunca o ganhará.
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Li a semana passada o mais recente livro de Bernard Lewis editado em Portugal, A Crise do Islão — Guerra Santa e Terror Ímpio (2003; Relógio d’Água, 2006). Dele, antes de mais, posso dizer que é inteiramente merecedor das palavras de Daniel Johnson (Daily Telegraph) incluídas na contracapa:As virtudes características do autor estão todas em grande evidência: concisão, legibilidade, perspicácia irónica e uma lógica impressionante. Isto é Bernard Lewis vintage: ele melhora com a idade.
Se é possível falar de um clero no mundo islâmico num sentido sociológico limitado, de laicidade, porém, não é possível falar em sentido nenhum. A simples ideia de algo separado ou possível de separar da autoridade religiosa, que em linguagem cristã se exprime por termos como «leigo [melhor: laico], temporal ou secular», é totalmente estranha ao pensamento e à prática islâmicos. [...] (p. 33)
[...] actualmente, não há nenhum país cristão em que os líderes religiosos possam contar com o grau de fé e de participação que continua a ser normal em terras muçulmanas. Em poucos países cristãos, ou mesmo em nenhum, os valores sagrados cristãos gozam de imunidade ao comentário ou discussão crítica que é aceite como normal até nas sociedades muçulmanas ostensivamente seculares e democráticas. Com efeito, essa imunidade privilegiada foi alargada aos países ocidentais onde existem agora comunidades muçulmanas, e onde a fé e as práticas religiosas muçulmanas gozam de um nível de imunidade à crítica que as maiorias cristãs perderam e as minorias judaicas nunca tiveram. [...] (p. 38)
[O Islão] Ensinou homens de raças diferentes a viver em fraternidade, e pessoas de credos diferentes a viver lado a lado num clima razoável de tolerância. [...] Mas o Islão, como outras religiões, também passou por períodos em que inspirou em alguns dos seus seguidores sentimentos de ódio e de violência. Por infelicidade nossa temos de nos confrontar com o mundo muçulmanos quando ele atravessa um desses períodos, e quando a maior parte desse ódio — embora de modo nenhum todo ele — é dirigido contra nós. (p. 43)
[...] é o Islão, fundamentalista ou de qualquer outra espécie, uma ameaça para o Ocidente? [...] De acordo com uma escola de pensamento, após o colapso da União Soviética e do movimento comunista, o Islão e o fundamentalismo islâmico substituíram-nos como a principal ameaça para o Ocidente e o estilo de vida ocidental. Segundo outra escola de pensamento, os muçulmanos, incluindo os fundamentalistas radicais, são basicamente pessoas decentes, amantes da paz e piedosas, algumas das quais perderam a paciência com todas as coisas horríveis que nós, os do Ocidente, lhes fizemos. Nós decidimos vê-los como inimigos porque temos uma necessidade psicológica de um inimigo que substitua a defunta União Soviética.
Ambos os pontos de vista contêm elementos verdadeiros, e ambos estão perigosamente errados. O Islão em si mesmo não é um inimigo do Ocidente [...]. Porém, um número significativo de muçulmanos — sobretudo mas não só aqueles a quem chamamos fundamentalistas — são hostis e perigosos, não porque nós precisemos dum inimigo mas sim porque eles precisam. (pp. 44–45)
[...] Alguns deles ainda vêem o Ocidente em geral, e em particular o seu actual líder, os Estados Unidos, como o velho e irreconciliável inimigo do Islão [...]. Para estes, o único caminho é a guerra até à morte [...]. Outros há que, embora sejam muçulmanos convictos e cientes dos defeitos da sociedade ocidental moderna, [...] procuram juntar-se a nós na tentativa de alcançar um mundo mais livre e melhor. Há ainda outros que, embora considerando o Ocidente o seu inimigo derradeiro e a fonte de todos os males, todavia estão conscientes do seu poder e pretendem um alojamento temporário, para melhor se prepararem para a luta final. Temos de ser prudentes para não confundir os segundos com os terceiros. (p. 45)(Tratar os segundos como se fossem os terceiros é injusto — e contraproducente. Mas convencermo-nos de que os terceiros são os segundos é imprudente — e o 11 de Setembro mostrou quão perigoso.)
[...] Em Janeiro de 1992, depois de um intervalo de tensão crescente, os militares cancelaram a segunda volta das eleições. Nos meses que se seguiram dissolveram a FIS [Frente Islâmica de Salvação] e instalaram um regime «secular», que na realidade era uma ditadura implacável que mereceu sinais de aprovação em Paris, Washington e outras capitais ocidentais. [...] Problemas semelhantes surgem no Egipto, no Paquistão e noutros países muçulmanos onde parecia provável que eleições genuinamente livres e justas viriam a resultar numa vitória islâmica.
Nisto, os democratas estão evidentemente em desvantagem. A sua ideologia exige que eles, mesmo quando estão no poder, concedam liberdades e direitos aos islamitas da oposição. Os islamitas, quando estão no poder, não estão sujeitos a essa obrigação. Pelo contrário, os seus princípios exigem que eles suprimam aquilo que consideram liberdades ímpias e subversivas.
Para os islamitas, a democracia, por expressar a vontade do povo, é a estrada para o poder, mas é uma estrada de sentido único, pela qual não há regresso, não há rejeição da soberania de Deus, conforme é exercida através dos Seus representantes escolhidos. A sua política eleitoral foi classificada sumariamente como: «Um homem (só os homens), um voto, uma vez».
[...] Mas isso não é razão para dar mimo a ditadores. (pp. 102–103)
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