# A Origem do Universo — Agoramesmismo
De facto, o Universo foi criado... agora mesmo!
Espalhem a Boa Nova!!!
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Se tudo na vida fosse tão bom como um mau blogue...
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«... é porque tu tens Religião e Moral, e o Pedro não. Tem moral, mas não tem religião.»
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Poucas pessoas sabem como se faz um livro, e por isso não sabem que o que um autor ou tradutor escreve é pacientemente revisto por pessoas especialistas nessa tarefa.E depois continua para desancar os revisores «puristas» que censuram a língua e o estilo, como se a língua e o estilo fossem fósseis.
HISTÓRIA DO ATEÍSMO (06/05/2004)
Foi finalmente publicado em Portugal o livro que, desde há pelo menos cinco anos, eu indicaria se algum dia me perguntassem a clássica «Que livro gostaria de ver traduzido em português?» (infelizmente, nunca ninguém quer saber essas coisas — ou muitas outras — de mim...).
Refiro-me a História do Ateísmo, de Georges Minois, setecentas e tal páginas a que tenho de me dedicar o mais rapidamente possível.
O aspecto menos positivo (a priori — espero enganar-me) foi a Teorema ter entregue a tradução a Serafim Ferreira, que recordo por ter traduzido outra obra do mesmo autor saída na Teorema: História do Futuro. Li o livro há não muitos meses (esteve anos na fila de espera) e surpreendeu-me pela negativa um tão pouco rigoroso trabalho de tradução...
POST SCRIPTUM SOBRE A TRADUÇÃO DE AS ORIGENS DO MAL DE GEORGES MINOIS (13/09/2005)
A tradução de As Origens do Mal foi entregue a Carlos Correia Monteiro de Oliveira, o que é uma boa notícia, pois o tradutor das obras precedentes (Serafim Ferreira) foi avançando paulatinamente até alcançar o nível do assassinato na tradução de História do Ateísmo, em que frequentemente pôs a edição portuguesa a dizer precisamente o contrário do original francês.
Se Carlos Oliveira comete os mesmos erros, tal não é evidente (o que, paradoxalmente, será um demérito face a Serafim Ferreira, com quem conseguíamos muitas vezes "reconstruir" o sentido original...), mas numa coisa ambos se irmanam: no critério (ou falta dele) quanto à tradução (ou não) de alguns títulos de obras e ao aportuguesamento (ou não) dos nomes de certos autores e personagens históricas ou mitológicas. É assim que surgem pérolas como a deusa grega «Gaïa», a seita dos «caïnitas» e o romancista «Dostoïevski», teólogos gregos como «Numérius d'Apamée», «Marcion du Pont» (ambos do séc. II) ou «Méthode d'Olympe» (séc. IV), o famoso escocês «Jean Duns Scot» (sécs. XIII–XIV) e muitos outros «Jeans» holandeses, alemães e doutras paragens, o «Livre des jubilés» (composto por uma seita judaica entre 135 a. C. e 105 a. C. e encontrado em Qumran) ou as obras de Ireneu (séc. II) e do alemão Martinho Lutero (séc. XVI), todas com títulos em francês — e ainda o meu preferido, o rei «Jacques I de Inglaterra». Ou, reverso da medalha, um certo «Teodoro» Roosevelt...*
Sejamos claros: deixar em francês títulos de obras não originalmente publicadas nessa língua ou nomes de personagens históricas não francófonas que por tradição são conhecidos na sua forma aportuguesada (ou afrancesada, no caso dos países francófonos, daí a opção de G. Minois) denota, antes de mais, ignorância e falta de cultura geral. O tradutor, simplesmente, não faz a mínima ideia de quem tais personagens foram — nem procurou saber.
* Alguns dos exemplos que dou são da autoria de Serafim Ferreira e não de Carlos Oliveira.
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O Governo Provisório da República faz saber que em nome da República se decretou, para valer como lei, o seguinte:Capítulo I
Da liberdade de consciência e de cultosArtigo 1ºA República reconhece e garante a plena liberdade de consciência a todos os cidadãos portugueses e ainda aos estrangeiros que habitarem o território português.Artigo 2ºA partir da publicação do presente decreto, com força de lei, a religião católica apostólica romana deixa de ser a religião do Estado e todas as igrejas ou confissões religiosas são igualmente autorizadas, como legítimas agremiações particulares, desde que não ofendam a moral pública nem os princípios do direito político português.Artigo 3ºDentro do território da República ninguém pode ser perseguido por motivos de religião, nem perguntado por autoridade alguma acerca da religião que professa.Artigo 4ºA República não reconhece, não sustenta, nem subsidia culto algum; e por isso, a partir do dia 1 de Julho próximo futuro, serão suprimidas nos orçamentos do estado, dos corpos administrativos locais e de quaisquer estabelecimentos públicos todas as despesas relativas ao exercício dos cultos.[...]
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Há dias, o filho [...] quis debater com a mãe a questão do aborto. O rapaz demonstrou uma convicção inabalável a respeito do tema. Aborto jamais, sob circunstância alguma, clamou o miúdo do alto dos seus dez ou onze anos. A mãe explicou-lhe que ninguém no seu perfeito juízo defendia propriamente o aborto, mas, por mais indesejável que fosse, essa poderia ser a única solução em determinados momentos da vida. O rapaz manteve-se firme. O que lhe tinham ensinado na escola não era aquilo. Em desespero de causa, a mãe confrontou-o então com a pergunta sacramental: se ela corresse perigo de vida por causa de uma gravidez, deveria interrompê-la ou entregar-se à morte e deixar os filhos órfãos? O miúdo foi peremptório: a gravidez estaria sempre em primeiro lugar. Mesmo que isso lhe custasse a morte da mãe.E Francisco Camacho continua (os destaques são meus):
Quem o disse não foi o estudante de uma madrassa. Foi o aluno de uma das escolas mais conceituadas de Portugal. Uma escola de formação de elites, onde a qualidade do ensino, seja lá o que isso queira dizer, anda de mão dada com uma mentalidade medieval e com uma cartilha criminosa.
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Que golpe de magia nos leva sistematicamente a transformar os carrascos em vítimas, a transfigurar os agressores em agredidos, a desculpar o indesculpável? [...] Esse golpe de magia tem um nome que corrói o nosso mundo: vitimização.
Vivemos num mundo de vítimas, em que todos são vítimas — menos os que têm o poder. [...]
[...] o cardeal Policarpo avisou (preveniu? ameaçou?) aqueles de nós que sofrem da inominável fraqueza de ser ateus. Segundo ele, a nossa “dificuldade (reparem na palavra) em acreditar em Deus não toca na insofismável realidade de Deus” e, por isso, é nosso dever “respeitar a fé” [...]. O sr. cardeal, que manifestamente não pratica a tolerância que reclama ao próximo, não admite (e suponho que gostaria de eliminar) o “direito à blasfémia”.