foto: Bruno Espadana

29 junho 2009

#  A Origem do Universo — Agoramesmismo

O vídeo que prova que o Universo NÃO foi criado há 15 000 milhões de anos (como afirmam os cientistas), NEM há 6000 anos (como diz na Bíblia).
De facto, o Universo foi criado... agora mesmo!
Espalhem a Boa Nova!!!

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16 setembro 2008

#  Religião e Moral

No elevador, uma vizinha para a filha em idade escolar:
«... é porque tu tens Religião e Moral, e o Pedro não. Tem moral, mas não tem religião.»

Que a minha vizinha seja capaz de fazer a distinção, dá-me alento para pensar que nem tudo neste mundo está perdido.

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10 setembro 2008

#  Dêem-me tradutores e revisores puristas — mas dêem-me tradutores e revisores, de facto!

Desidério Murcho escrevia ontem no Público (reproduzido no blogue De Rerum Natura):
Poucas pessoas sabem como se faz um livro, e por isso não sabem que o que um autor ou tradutor escreve é pacientemente revisto por pessoas especialistas nessa tarefa.
E depois continua para desancar os revisores «puristas» que censuram a língua e o estilo, como se a língua e o estilo fossem fósseis.

Pois, pois...

Em muitas edições portuguesas (particularmente traduções), eu até gostava de um correctorzinho purista — era sinal de que havia um corrector, in the first place!
O grande problema é que, frequentemente, não há; se há, só fingiu que fez o seu trabalho; e se fez o seu trabalho, então manifestamente não está qualificado para o fazer. (O mesmo se pode dizer, sem dúvida e por maioria de razão, dos próprios tradutores.)
Há de tudo: ignorância linguística, ignorância cultural (geral), ignorância sobre o tema...

As traduções dos livros de Georges Minois (Teorema) são apenas um exemplo dos mais flagrantes, mas tem muita companhia.
A tradução que Serafim Ferreira fez de História do Ateísmo é (permitam-me a ironia) de bradar aos céus: à força de desconhecer (!!!) a expressão francesa «ne que», o homem conseguiu pôr o texto em português a dizer o contrário do original francês (é tão evidente que até eu, sem o original à frente e sem grandes conhecimentos de francês, dou conta do problema — infelizmente, não sempre, certamente).
E a ignorância histórica (não só de personagens e autores importantes, mas também do facto de os nomes antigos e medievais, e ainda o dos modernos monarcas e papas, serem por tradição adaptados à língua de quem escreve) faz surgir preciosidades como «a Bíblia do Rei Jacques de Inglaterra»...

Por isso, dêem-me tradutores e revisores puristas — mas dêem-me tradutores e revisores, de facto!



Sobre este mesmo tema (e caindo um pouco na repetição), permito-me reproduzir aqui dois posts que escrevi ainda no tempo da revista Periférica (blogue A Oeste Nada de Novo):

HISTÓRIA DO ATEÍSMO (06/05/2004)

Foi finalmente publicado em Portugal o livro que, desde há pelo menos cinco anos, eu indicaria se algum dia me perguntassem a clássica «Que livro gostaria de ver traduzido em português?» (infelizmente, nunca ninguém quer saber essas coisas — ou muitas outras — de mim...).

Refiro-me a História do Ateísmo, de Georges Minois, setecentas e tal páginas a que tenho de me dedicar o mais rapidamente possível.

O aspecto menos positivo (a priori — espero enganar-me) foi a Teorema ter entregue a tradução a Serafim Ferreira, que recordo por ter traduzido outra obra do mesmo autor saída na Teorema: História do Futuro. Li o livro há não muitos meses (esteve anos na fila de espera) e surpreendeu-me pela negativa um tão pouco rigoroso trabalho de tradução...

POST SCRIPTUM SOBRE A TRADUÇÃO DE AS ORIGENS DO MAL DE GEORGES MINOIS (13/09/2005)

A tradução de As Origens do Mal foi entregue a Carlos Correia Monteiro de Oliveira, o que é uma boa notícia, pois o tradutor das obras precedentes (Serafim Ferreira) foi avançando paulatinamente até alcançar o nível do assassinato na tradução de História do Ateísmo, em que frequentemente pôs a edição portuguesa a dizer precisamente o contrário do original francês.

Se Carlos Oliveira comete os mesmos erros, tal não é evidente (o que, paradoxalmente, será um demérito face a Serafim Ferreira, com quem conseguíamos muitas vezes "reconstruir" o sentido original...), mas numa coisa ambos se irmanam: no critério (ou falta dele) quanto à tradução (ou não) de alguns títulos de obras e ao aportuguesamento (ou não) dos nomes de certos autores e personagens históricas ou mitológicas. É assim que surgem pérolas como a deusa grega «Gaïa», a seita dos «caïnitas» e o romancista «Dostoïevski», teólogos gregos como «Numérius d'Apamée», «Marcion du Pont» (ambos do séc. II) ou «Méthode d'Olympe» (séc. IV), o famoso escocês «Jean Duns Scot» (sécs. XIII–XIV) e muitos outros «Jeans» holandeses, alemães e doutras paragens, o «Livre des jubilés» (composto por uma seita judaica entre 135 a. C. e 105 a. C. e encontrado em Qumran) ou as obras de Ireneu (séc. II) e do alemão Martinho Lutero (séc. XVI), todas com títulos em francês — e ainda o meu preferido, o rei «Jacques I de Inglaterra». Ou, reverso da medalha, um certo «Teodoro» Roosevelt...*

Sejamos claros: deixar em francês títulos de obras não originalmente publicadas nessa língua ou nomes de personagens históricas não francófonas que por tradição são conhecidos na sua forma aportuguesada (ou afrancesada, no caso dos países francófonos, daí a opção de G. Minois) denota, antes de mais, ignorância e falta de cultura geral. O tradutor, simplesmente, não faz a mínima ideia de quem tais personagens foram — nem procurou saber.

* Alguns dos exemplos que dou são da autoria de Serafim Ferreira e não de Carlos Oliveira.

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29 maio 2007

#  Ateu e sovina,

organizava as festas de aniversário na igreja da paróquia para poder soprar as velas dos altares.

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29 abril 2006

#  Sensibilidade ateia

O post acima trouxe-me à lembrança um cartoon de Vince O’Farrell, publicado na sequência da polémica dos cartoons de Maomé:

(c) Vince O'Farrell
«Notícia de última hora: 15.000 ateus revoltosos invadiram a redacção de um jornal depois de 12 folhas em branco terem sido encontradas na secretária de um cartoonista...»

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20 abril 2006

#  20 de Abril de 1911: Lei da Separação da Igreja do Estado

Obrigado ao Diário Ateísta por me informar da efeméride:


O Governo Provisório da República faz saber que em nome da República se decretou, para valer como lei, o seguinte:

Capítulo I
Da liberdade de consciência e de cultos


Artigo 1º
A República reconhece e garante a plena liberdade de consciência a todos os cidadãos portugueses e ainda aos estrangeiros que habitarem o território português.

Artigo 2º
A partir da publicação do presente decreto, com força de lei, a religião católica apostólica romana deixa de ser a religião do Estado e todas as igrejas ou confissões religiosas são igualmente autorizadas, como legítimas agremiações particulares, desde que não ofendam a moral pública nem os princípios do direito político português.

Artigo 3º
Dentro do território da República ninguém pode ser perseguido por motivos de religião, nem perguntado por autoridade alguma acerca da religião que professa.

Artigo 4º
A República não reconhece, não sustenta, nem subsidia culto algum; e por isso, a partir do dia 1 de Julho próximo futuro, serão suprimidas nos orçamentos do estado, dos corpos administrativos locais e de quaisquer estabelecimentos públicos todas as despesas relativas ao exercício dos cultos.

[...]

Entre outros, o Artigo 4º entretanto caiu...

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17 abril 2006

#  «... mal também não faz.»

É o argumento de último recurso, aquele a que recorrem quando todos os demais falharam: que se o baptismo, a catequese ou a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (conforme o caso) não fizerem bem, mal também não fazem. É um grande tombo em termos de dignidade — de farol da vida em sociedade e passaporte para a eterna salvação post mortem a inofensivo e pechisbeque placebo moral —, mas é um sacrifício a que, sendo necessário, os laçadores de ovelhas tresmalhadas não hesitam recorrer: uma pequena humilhação face à perspectiva de a geração seguinte retornar ao rebanho.

Infelizmente é mentira: não é verdade que, «se não fizer bem, mal também não faz». Pode fazer. Porque se não é um remédio, não se deduz daí que então é necessariamente um placebo — pode ser aguarrás ou coisa pior.

Dois exemplos. O primeiro retiro-o do editorial de Francisco Camacho da NS’ de 8 de Abril, apropriadamente intitulado «Religião imoral». O director deste suplemento dos jornais DN e JN conta o caso de um casal amigo que, como outros que ele conhece, matricularam o filho num colégio católico, não por uma questão doutrinária (os amigos em causa não são propriamente católicos praticantes), antes pela reputação em termos de qualidade de ensino. Mas, como diz Camacho, «tenhamos atenção à perversidade que se esconde debaixo de alguns malmequeres»:
Há dias, o filho [...] quis debater com a mãe a questão do aborto. O rapaz demonstrou uma convicção inabalável a respeito do tema. Aborto jamais, sob circunstância alguma, clamou o miúdo do alto dos seus dez ou onze anos. A mãe explicou-lhe que ninguém no seu perfeito juízo defendia propriamente o aborto, mas, por mais indesejável que fosse, essa poderia ser a única solução em determinados momentos da vida. O rapaz manteve-se firme. O que lhe tinham ensinado na escola não era aquilo. Em desespero de causa, a mãe confrontou-o então com a pergunta sacramental: se ela corresse perigo de vida por causa de uma gravidez, deveria interrompê-la ou entregar-se à morte e deixar os filhos órfãos? O miúdo foi peremptório: a gravidez estaria sempre em primeiro lugar. Mesmo que isso lhe custasse a morte da mãe.
E Francisco Camacho continua (os destaques são meus):
Quem o disse não foi o estudante de uma madrassa. Foi o aluno de uma das escolas mais conceituadas de Portugal. Uma escola de formação de elites, onde a qualidade do ensino, seja lá o que isso queira dizer, anda de mão dada com uma mentalidade medieval e com uma cartilha criminosa.

Do segundo exemplo tenho conhecimento directo. Um casal meu amigo tem a filha única a frequentar o 2.º Ciclo do Ensino Básico numa escola pública. Os pais, nascidos em famílias católicas, são ateus (ou, pelo menos, agnósticos), pelo que a miúda não foi baptizada nem frequentou a catequese. Apesar disso, no acto de matrícula foram assediados no sentido de optarem pela disciplina de EMRC; os argumentos apresentados foram não só o já referido do placebo, mas ainda (porque um parecia não chegar) o do espectro da discriminação: que a menina sentir-se-ia posta de lado quando os outros fossem para a aula de EMRC e ela não... Com receio do possível «trauma» da criancinha — e porque «mal também não faz» —, os meus amigos (que em tudo o mais demonstram discernimento) acederam. Em má hora, vêem agora: há uns tempos a menina chegou a casa chocada com as palavras do professor de Moral. No âmbito da campanha anti-aborto (o seu grande cavalo-de-batalha actual), e sendo necessário deixar bem patente a infinita superioridade do valor da vida humana, verdadeiramente sagrada, achou o energúmeno de nomeação episcopal que seria bom ilustrar tal superioridade com um exemplo simples: que um gato ou um cão, sendo seres sem sentimentos, ao contrário do ser humano, podiam «ser atirados contra a parede», não constituindo isso qualquer mal.

Eu iria um pouco mais longe do que o editorialista da NS’ e perguntaria (retoricamente) se a diferença entre um colégio (ou um ensino) católico e uma madrassa islâmica não residirá tão-só nas sociedades em que se inserem e não na bondade/maldade intrínseca dos princípios morais que regem cada uma das escolas. A diferença é que, no Ocidente, a sociedade e a Lei vão refreando (a custo) os ímpetos terroristas e absolutistas da orientação teológica do ensino. Mas isso exige atenção dos pais, que deverão ter a consciência de que, se bem não faz, mal pode fazer — e muito. Verdadeiramente, há muita perversidade debaixo dos malmequeres.


Post-scriptum (23:15): Nem de propósito: no episódio desta noite de O Sexo e a Cidade (SIC-M), Brady, o companheiro de Miranda, defende o baptismo do filho deles, não só para agradar à sua mãe (dele, Brady), mas também para prevenir os perigos do Limbo ou do Inferno. Perante a oposição da Miranda, que afirma não acreditar numa ou noutra coisa, returque o companheiro: «Se não acreditas, é só água na cabeça do miúdo!»

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03 março 2006

#  Coisas que valeu a pena ler hoje

«Monstruosa inocência», de Esther Mucznik:
Que golpe de magia nos leva sistematicamente a transformar os carrascos em vítimas, a transfigurar os agressores em agredidos, a desculpar o indesculpável? [...] Esse golpe de magia tem um nome que corrói o nosso mundo: vitimização.
Vivemos num mundo de vítimas, em que todos são vítimas — menos os que têm o poder. [...]

«O direito à blasfémia», de Vasco Pulido Valente:
[...] o cardeal Policarpo avisou (preveniu? ameaçou?) aqueles de nós que sofrem da inominável fraqueza de ser ateus. Segundo ele, a nossa “dificuldade (reparem na palavra) em acreditar em Deus não toca na insofismável realidade de Deus” e, por isso, é nosso dever “respeitar a fé” [...]. O sr. cardeal, que manifestamente não pratica a tolerância que reclama ao próximo, não admite (e suponho que gostaria de eliminar) o “direito à blasfémia”.

Ambos no Público, ambos a ler integralmente.

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