foto: Bruno Espadana

29 março 2008

#  Eppur è tutto vero...

07 fevereiro 2008

#  Ética terrorista

Público online:

EUA acusam Al-Qaeda de usar crianças em vídeos de propaganda

A Comissão de Ética da Al-Qaeda já mandou abrir um inquérito.

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10 setembro 2007

#  A ETA tem uma célula em Roswell?

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25 janeiro 2007

#  Bin Laden agradece

Leio no site do movimento “Vida, Sempre!” o seguinte argumento de «gente de peso»:
«Um país que aceita o aborto não está a ensinar os seus cidadãos a amar, mas a usar a violência para obterem o que querem. É por isso que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto
(Teresa de Calcutá)

Quanto à primeira parte (que não destaquei), digo apenas que não me parece que entre as “obrigações” de um «país» esteja a de «ensinar os seus cidadãos a amar»... mas adiante.
Quanto à parte destacada: tais extremos retóricos («o maior destruidor»!) trazem-me à lembrança declarações mais recentes:
O Papa Bento XVI comparou hoje [01/01/2007] o aborto e as pesquisas em embriões ao terrorismo. Na homilia do Dia Mundial da Paz, o líder da Igreja Católica considerou que estas práticas constituem “um atentado contra a paz”.

Bin Laden y sus muchachos agradecem — raramente pessoas de tanto «peso» caucionaram (por banalizarem) a este ponto as suas acções criminosas.

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21 setembro 2006

#  Nota à margem

Samir Kassir foi historiador e jornalista, professor no Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Saint-Joseph. Era reputado pelos seus editoriais publicados no grande jornal diário de Beirute, An-Nahar. A sua Histoire de Beyrouth (2003) foi saudada como uma obra de referência. Foi assassinado em 2 de Junho de 2005, em Beirute. Tinha então 45 anos.

Capa de 'Considerações sobre a desgraça árabe'Transcrevo este parágrafo da primeira página de Considerações sobre a desgraça árabe (Actes Sud, 2004; Cotovia, 2005), um opúsculo em cujo preâmbulo Samir Kassir se autodefine da seguinte forma:
O autor destas considerações é um árabe do Machereque, laico, como depressa se verá, aculturado e mesmo ocidentalizado — se assim não fosse, porque escreveria em francês? —, mas que não se considera alienado a uma cultura estrangeira, e, em todo o caso, pouco desejoso de erradicar aqueles que não pensam como ele. [...]

Na margem do texto anoto: «Não era recíproco...»

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07 agosto 2006

#  A nódoa

Ayman al-ZawahiriUm tema habitual entre os jihadistas e quejandos é a reconquista de todas as terras que já foram islâmicas, nomeadamente a Crimeia, os Balcãs e a Península Ibérica (que, no imaginário muçulmano, configura uma espécie de Éden da Idade de Ouro do Islão). Ainda recentemente o n.º 2 da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, afirmava num vídeo que a sua organização «libertará todos os lugares que foram terra do Islão, do Al-Andalus ao Iraque».

Não entendo esta fixação, este tabu sobre a presença de outras religiões e culturas em terras onde o Islão já pôs um dia o pé. Apesar de tudo, o Islão não é como o cavalo de Atila, de que se dizia que onde pisava nada mais crescia. Apesar de tudo, a conversão de uma terra (?) ao Islão é menos nociva do que o teste nuclear no Atol de Bikini ou o desastre de Chernobyl, que incompatibilizaram estes territórios com a vida. Apesar de tudo, o Islão não é uma nódoa no mapa civilizacional.

Ou será? Al-Zawahiri lá o saberá.

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20 julho 2006

#  Fila única, por favor!

Há quem diga que nos dias que correm não consegue ver as notícias, pois é só guerra, terrorismo, repressão, morte e destruição.

Eu acho que não, que é precisamente o contrário: o mundo é muito mais pacífico quando visto pelo filtro dos media, particularmente da televisão.
Na versão televisiva do mundo, a cada momento há uma única guerra e uma única crise humanitária a acontecer. Na versão televisiva do mundo, a “guerra de serviço” é a do Líbano e a crise humanitária é a de Java. Nesse mundo 4x3 (PAL Plus 16x9 nos lares mais afortunados) nada se passa no Iraque, no Afeganistão, no Darfur, na Coreia do Norte, no Turquemenistão, na Bielorrúsia, na Chechénia, na Somália... A Índia bem tentou, mas o alinhamento não permitiu. Talvez em Outubro, com a nova grelha.

As pessoas que vivem no Iraque, no Afeganistão, no Darfur, na Chechénia, na Bielorrússia, na Somália acham que as coisas estão mal por lá. Estão enganados, mas compreende-se: vêem pouca televisão.*


* Não é o caso da Coreia do Norte e do Turquemenistão; aí as televisões garantem que o “Querido Líder” e o “Pai de Todos os Turquemenos”, respectivamente, asseguram um presente radioso e um futuro ainda mais.

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07 julho 2006

#  The enemy within

Foi há um ano que quatro bombistas suicidas se fizeram explodir nos transportes públicos de Londres. Ao contrário dos ataques de 11 de Setembro de 2001 e de 11 de Março de 2004, estes foram levados a cabo por cidadãos nacionais do país atacado.

Nem de propósito, prevejo terminar a minha análise «A liberdade no mundo» com uma parte precisamente intitulada «Liberdade e Islão», a que se seguirão, nos próximos dias, mais alguns posts sobre o mesmo tema, mas baseando-me em fontes diferentes.

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03 julho 2006

#  Para uma contabilidade da auto-estima palestiniana

Segundo os palestinianos, quanto vale a vida de um soldado israelita?

Leio no Público online:
Os três grupos armados [Brigadas de Ezzedin Al-Qassam, Comités de Resistência Popular e Exército do Islão] reclamam a libertação de mulheres, menores e milhares de outros palestinianos e árabes detidos em Israel em troca do soldado capturado.

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08 junho 2006

#  Semântica

Abu Mussab al-ZarqawiO Público online noticia a morte de Abu Mussab al-Zarqawi, líder da facção iraquiana da Al-Qaeda.

Enquanto leio o desenvolvimento mais recente («Blair diz que morte de al-Zarqawi é “boa notícia”», 10h42), reparo nos títulos dos textos anteriores: «Primeiro-ministro do Iraque confirma morte de al-Zarqawi» (09h18) e «Líder da Al-Qaeda no Iraque foi assassinado» (08h54).

Clico na notícia das 09h18. Quando, poucos minutos depois, volto atrás, a notícia das 08h54 passou a chamar-se «Líder da Al-Qaeda no Iraque foi morto em combate».

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22 abril 2006

#  As carnívoras flores-de-cheiro

Helena Matos escreve no Público de hoje sobre as cedências ocidentais à “sensibilidade” religiosa islâmica («Sensibilidade, relativismo e cobardia»), ilustrando com dois casos recentes: o da Bershka (um caso que eu desconhecia de todo) e o da série de animação South Park (que tinha tudo menos tradição de respeito pela sensibilidade religiosa fosse de quem fosse... até agora). Cito a parte para mim fundamental:
[...] Stone e Parker [criadores de South Park] perceberam que as religiões não são de facto todas igualmente sensíveis. Ou, parafraseando Orwell, as religiões são todas iguais, mas há algumas mais iguais que outras. Assim, um episódio em que surgiria uma imagem de Maomé não foi para o ar. Em sua substituição foi emitido um outro no qual se vê Jesus Cristo a defecar em cima de George W. Bush e da bandeira americana. O recurso à escatologia não deve ser suficiente para esconder o óbvio: com Maomé não se brinca. Somos muito irreverentes, muito polémicos mas apenas com aqueles cujos seguidores não nos ameaçam degolar numa esquina.
Na verdade, não está em causa a sensibilidade do outro. O que está em causa é o medo que o outro nos inspira. [...]

Uma vez mais, concordo plenamente com Helena Matos.

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20 abril 2006

#  Será mesmo preconceito nosso?

Voltando ainda ao Prós & Contras do passado dia 10, veio-me à lembrança a intervenção de um dos líderes da Comunidade Islâmica em Portugal* (presente na assistência), que apontava como sinal de discriminação em relação ao Islão o facto de, no Ocidente, a imprensa se referir à Al-Qaeda como uma organização terrorista «islâmica», mas não se referir à ETA como uma organização terrorista «cristã» ou «católica». Infelizmente, também aqui, não houve quem na sala desse a esta intervenção a devida réplica. Alguns rasparam a superfície da questão, mas não foram suficientemente claros e exactos para que o comum dos espectadores entendesse a diferença fundamental. E, assim, a falácia passou.

O dirigente da Comunidade Islâmica em Portugal tem certamente alguma razão quando fala em discriminação — como todos os líderes (ou não) de todas as minorias em todo o mundo. Mas o exemplo que dá é, como disse, falacioso. Desde logo, uma falácia de base: a Al-Qaeda, com ou sem propriedade, reclama-se defensora da fé e dos valores muçulmanos e promotora da sua hegemonia; já a ETA, por mais cristãos ou católicos que os seus membros possam ser, proclama-se defensora do povo basco — da sua identidade, da sua independência política — e orienta-se por uma ideologia marxista (como, originalmente, a OLP). O que opõe a ETA aos Estados espanhol e francês é a identidade basca (seja lá o que isso for) — não a identidade (ou a prática) religiosa; já o que separa a Al-Qaeda e grupos satélites do Ocidente (ou de outros muçulmanos) é, segundo essas organizações, a identidade (ou a prática) religiosa. Por isso, as situações são, à partida, bem distintas.

Existe ainda nas palavras do tal dirigente muçulmano uma falácia adicional: é que o rótulo «islâmico» não é usado tão ao desbarato como ele nos tenta convencer, nem os rótulos «cristão» ou «católico» são omitidos de organizações terroristas se tal se justifica.
No primeiro caso — para além da já citada OLP (que, de facto, integrava originalmente muitos palestinianos cristãos) —, ninguém se refere aos grupos terroristas/separatistas curdos da Turquia como «islâmicos», mas simplesmente como «curdos», «nacionalistas curdos» ou «separatistas curdos» — porque é a identidade curda, e não a religião, que os separa dos (e os opõe aos) turcos. E mesmo em casos em que existe uma dupla clivagem étnica e religiosa, como é o da Chechénia, a imprensa ocidental destaca mais a natureza étnica do conflito do que a religiosa (apesar da crescente “islamização” do separatismo checheno).
No segundo caso, é mentira que, justificando-se o rótulo, a imprensa não se refira aos grupos terroristas/separatistas “cristãos”, “católicos” ou “protestantes” como tal. Veja-se o caso do conflito da Irlanda do Norte: de um lado os separatistas «católicos» do Sinn Féin (literalmente, «Nós Mesmos») e do IRA (embora, na designação, o grupo apenas se reclame «republicano» e «irlandês»), do outro os «protestantes» fiéis à Coroa inglesa (que, exactamente por isso, se referem a si mesmos mais como «unionistas» e «lealistas» do que como «protestantes» — haja ou não aqui hipocrisia).

Fica, pois, claro que a prevalência da designação «grupo terrorista islâmico» não é sinal de discriminação em relação aos seguidores do Islão. Outros sinais haverá, mas este não é um deles.
Ajudaria à diminuição de tal discriminação uma clara demarcação dos muçulmanos «moderados» face às acções e objectivos dos muçulmanos terroristas — uma demarcação sem relativizações ou «contextos», sem pigarreios, sem «poréns», sem «nos entantos». Uma demarcação denotadora de condenação inequívoca. Mas nem como exercício de hipocrisia para consumo externo conseguimos ouvir isso deles. A voz da Ummah fala mais alto.


* Terá sido apenas uma escolha menos feliz na hora de decidir a designação da comunidade, mas remeter Portugal para um complemento circunstancial de lugar («Comunidade Islâmica em Portugal», e não «de Portugal» ou simplesmente «Portuguesa») contribui pouco para a credibilidade do autoproclamado sentimento de pertença.

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18 abril 2006

#  Para que o silêncio não reine aqui

In “Kontratempos”:
UM SILÊNCIO QUE NOS FALA. Neste dia em que um comando suicida da Jihad Islâmica fez 10 mortos e 50 feridos em Telavive, poucos se referiram ao atentado. [...] Nos blogues de esquerda com sentido único, nem uma palavra. Na esquerda parlamentar que gosta de reclamar o monopólio da esquerda, nem um comunicado nem uma parábola. Todos reservam as suas declarações indignadas para a retaliação israelita. Demasiado previsível, este silêncio que nos fala.
E com esta o blogue de Tiago Barbosa Ribeiro ganha um espaço na minha lista de sugestões.

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03 março 2006

#  And the nominees for the “Chamberlain of the Year Award” are...

Não vi o debate mensal de ontem na Assembleia da República, mas pelo resumo dos telejornais e pelo que vem hoje na imprensa escrita, alguns exageros de retórica poderiam ter sido evitados, de parte a parte.

No entanto, apesar do assanhamento e do notório acerto de contas, o deputado Telmo Correia tem razão numa coisa: quando compara a postura do ministro dos Negócios Estrangeiros com a do primeiro-ministro inglês dos dias que antecederam a II Guerra Mundial.
Em resposta, Freitas do Amaral sustentou que não é deitando achas para a fogueira que se mantém a paz. Ora, a questão é, precisamente, que essas bem poderiam ser palavras de Neville Chamberlain — e todos sabemos que guerra é que a sua política de apaziguamento a todo o custo conseguiu evitar...

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#  Um cartoonista para os tempos que correm

Cartoon de Michael Shaw / The New YorkerNa legenda: «Por favor, desfrute* deste cartoon cultural, étnica, religiosa e politicamente correcto de uma forma responsável. Obrigado.»
© Michael Shaw / The New Yorker

* Não arranjo melhor tradução...

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23 fevereiro 2006

#  Acho que nos conhecemos de algum lado...

Confesso que só hoje me dei ao trabalho de ir ver os cartoons da discórdia. Conforme escreveu o João Pereira Coutinho há uns tempos, são quase todos de uma pobreza confrangedora: ideia fraca, execução técnica fraca, ou ambos os pecados. Quase que só se safa este:

um dos cartoons dinamarqueses
Mas, aqui, só mesmo a vontade de lançar achas para a fogueira vê no barbudo o profeta Maomé. O cartoon não identifica a personagem — e, havendo um interdito sobre a sua representação, os muçulmanos não podem, simplesmente, reconhecê-lo.

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16 fevereiro 2006

#  Teste: Descubra o terrorista islâmico que há em si

Cartoon de Valentin Druzhinin
O que o choca/ofende mais: o cinto-bomba ou o batom?

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10 fevereiro 2006

#  Cor-de-Rosismo

Leio no Aspirina B:
[...] Para quem gosta de números, apostaria os meus rentes [sic] em como há centenas de milhões de muçulmanos cuja ambição é viverem em paz, conforto e harmonia com o resto do mundo. Quantas centenas de milhões? Vou arriscar uma quantidade: entre 10 a 12.
São pessoas condicionadas pelos poderes políticos, religiosos e culturais. Pessoas cuja voz não se faz ouvir, que talvez nem a si próprias se oiçam. [...]

Que se diga que há milhões de «muçulmanos cuja ambição é viverem em paz, conforto e harmonia com o resto do mundo», aceita-se. Mas cifrarem-se esses “aspirantes à harmonia” em centenas de milhões, e que essas centenas sejam 10 ou 12 — isto é, virtualmente, todos (algo mais que mil milhões) — é lirismo. Ou demagogia.

E afirmar que infelizmente essas centenas de milhões «são pessoas condicionadas pelos poderes políticos, religiosos e culturais» é, uma vez mais, lírico, infantil ou demagógico. Já dizia Ortega y Gasset: «Eu sou eu e a minha circunstância». De facto, os condicionalismos sociais, políticos, religiosos fazem parte de cada um (da sua maneira de ser, pensar e agir); se sou “naturalmente” tolerante*, mas a educação e a sociedade me leva a assumir atitudes intolerantes, então eu não sou de facto tolerante — pois não posso separar o que faço e o que me levam a fazer e defender daquilo que sou!

Finalmente, quando li que «talvez nem a si próprias se oiçam», fiquei com dúvidas se leria a Xis ou a badana de um livro da Pergaminho... Mas parece que não.

* Ai Rousseau, os estragos que ainda fazes!...

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09 fevereiro 2006

#  O óbvio e o omitido

E agora, um comunicado do gabinete do Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros:

Escudo portuguêsMinistério dos Negócios Estrangeiros
República Portuguesa
Assim, sim! Porquê deixar as coisas pela metade?

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