foto: Bruno Espadana

15 outubro 2008

#  McCain, o reciclador

Num partido pouco amigo dos ambientalistas, o irreverente John McCain recicla o seu discurso velho e apresenta-o como novinho em folha:

Etiquetas: , , , ,

19 setembro 2008

#  Prisioneiro de Consciência

John Stewart, comentando a mudança de discurso de John McCain:
«Ao que parece, John McCain é o único prisioneiro de guerra sujeito a lavagem cerebral depois de ser libertado.»

Etiquetas: , , ,

18 outubro 2007

#  Stephen Colbert a Presidente dos EUA

Stephen Colbert (com Abraham Lincoln e George Washington em pano de fundo)Stephen Colbert, apresentador do The Colbert Report (programa satírico do canal por cabo Comedy Central), anunciou a sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos.

O anúncio pode ser interpretado como um golpe publicitário destinado a promover o seu programa, que não completou o “desmame” do The Daily Show (programa de notícias fictícias onde Colbert começou como “correspondente”), ou como uma mera brincadeira ao jeito vocalista dos Enapá 2000, mas o impacto desta personagem caricatural (o opinion maker neoconservador e egocêntrico, estilo Bill O’Reilly e o The O’Reilly Factor) não pode ser descurado.

Colbert Report
Stephen Colbert é o criador de diversos neologismos. O primeiro e mais famoso foi «truthiness»: diferente de «truth» (verdade, veracidade), poderíamos traduzi-la como «verdadacidade», correspondendo à «qualidade segundo a qual alguém reclama saber algo emocional ou instintivamente, independentemente das provas ou da reflexão crítica» (nesse sentido, a existência de armas de destruição em massa no Iraque e de ligações do regime de Saddam à Al Qaeda eram duas «verdadacidades»...). Este neologismo foi rapidamente adoptado pela American Dialect Society (que o redefiniu ligeiramente), sendo mais tarde eleita de forma esmagadora como a «Palavra do Ano 2006» (votação online organizada pela editora do prestigiado dicionário Merriam-Webster).

Mas esta não seria a sua única vitória numa votação online: quando em 2006 o governo húngaro optou por tal sistema para a escolha do nome a dar à nova e monumental ponte sobre o Danúbio, Stephen Colbert exortou os seus espectadores a votarem nele. O resultado: em duas semanas Colbert teria 17.231.724 votos, sagrando-se vencedor. (Obviamente, o governo húngaro, ainda que reconhecendo a vitória do apresentador americano, apressou-se a alterar as regras — ou a especificá-las —, e a ponte receberia um nome digno da sua “hungaricidade”.)

Mas chega de conversa. Aqui vai o vídeo em que Colbert, convidado especial no The Daily Show, fez o «anúncio oficial de que decidiu considerar oficialmente se irá ou não anunciar que irá candidatar-se a Presidente dos Estados Unidos»:



Um quarto de hora depois, o anúncio oficial no seu próprio programa:

Etiquetas: , , , ,

10 outubro 2007

#  O Meta-Presidente

Nestes dias em que uma gripe me prende em casa — uma casa sem televisão nem rádio —, a internet tem sido a minha salvação nas horas de maior tédio em que (felizes horas de tédio!) as noites mal dormidas e a natural prostração não pesam suficientemente sobre os olhos para os manterem fechados. Nessas alturas jogo pelo seguro e visito o site do The Daily Show with Jon Stewart.

Este programa (transmitido com muito atraso e algo erraticamente pela SIC Radical) é a mais completa versão moderna do preceito Ridendo castigat mores. E é também, como o latino preceito prevê, do mais inteligente que se faz na televisão actual.

Do muito que poderia usar como exemplo ilustrativo (isto é, quase tudo), não resisto a mostrar aqui um trecho recente em que o Jon comenta a tendência de George W. Bush para fazer de narrador de si mesmo:



Para quem não pode ver o vídeo anterior, transcrevo aqui o fundamental do que Jon Stewart diz (mas nada substitui ver o excerto inteiro):
[...] Foi uma clássica manobra à Presidente Bush: transmitir confiança às pessoas informando-as de que está ali para lhes transmitir confiança. É o que este homem faz constantemente: pega no subtexto de um discurso e torna-o o texto. [...] É que enquanto alguns líderes são homens de palavras, outros são homens de acção; o Presidente Bush é um homem que usa palavras para descrever acções. [...] Não entendo! Quando ele discursa, é como se estivesse a ler as didascálias! [...] O Presidente não está ali para agir — a razão por que o Presidente está ali é, pelos vistos, dizer-nos a razão por que está ali! [...] Ele é o nosso primeiro Meta-Presidente! Aparece e passa o dia a descrever as coisas que deveria estar a fazer. [...]


Este vídeo trouxe-me à lembrança um outro, mais antigo, em que Jon Stewart analisa um recurso de retórica que o Presidente americano usa recorrentemente: repetir «por outras palavras» (por vezes, não tão outras assim) aquilo que acabou de dizer; ou, como dizem os criadores do The Daily Show, «o esforço de uma mente iluminada para tornar as complexidades dos pensamentos mais elevados acessíveis às massas»:

Etiquetas: , , ,

05 setembro 2007

#  Na superficialidade é que está o ganho

Escrevia Palmira F. da Silva ontem no De Rerum Natura:
[...] Em questão estava o título com que a National Geographic apresentava uma descoberta relatada na Nature e que dava a entender que esta descoberta despedaçava a teoria da evolução humana.
Outros media usaram igualmente títulos desconexos da realidade para apresentar a mesma descoberta, como é exemplificado pela canadiana CBS, que intitulou a história «World's oldest gorilla fossil challenges evolutionary beliefs». Ambos os títulos não têm rigorosamente algo a ver quer com as notícias que os acompanham quer com a descoberta reportada. Aparentemente os criacionistas apenas leêm títulos sem se darem à maçada de ler os artigos originais ou mesmo o corpo da notícia e quasi de imediato aproveitaram a «prenda» para repetirem qual mantra títulos de mau jornalismo.
Entretanto a National Geographic alterou o título de «New Fossil Ape May Shatter Human Evolution Theory» para o menos bombástico (e fantasioso) «New Fossil Ape May Shake Human Family Tree».

Esta história trouxe-me à lembrança o comentário de Jon Stewart à promessa de a CNN nos dar «mais histórias por hora»:


Para quem não quer — vá lá... — ou não pode ver o vídeo, ou para quem não percebe suficientemente inglês, o fundamental pode resumir-se a esta frase do apresentador do The Daily Show:
As pessoas não querem poucas histórias minuciosamente investigadas, elas querem muitas histórias abordadas por alto.

Etiquetas: , , , ,