foto: Bruno Espadana

26 setembro 2007

#  Duplamente desconcertante

'War', de Paula RegoPaula Rego é dos poucos artistas cujas entrevistas verdadeiramente me interessam: o seu discuso não fica aquém da sua arte (mérito do discurso, não desmérito da arte). Nos outros, com sorte, interessa a arte — em Paula Rego até as palavras são desconcertantes!

O exemplo mais recente (de ontem) é o da reportagem de Alexandra Lucas Coelho na inauguração da retrospectiva de Paula Coelho no “Reina Sofía” de Madrid. Mas ainda recordo com humor a cara do comissário da exposição do CCB em 1997 (Alexandre Melo) a cada resposta da pintora...

De “The Pillowman” (peça que teve recentemente uma fenomenal encenação de Tiago Guedes), disse a pintora que transformou a sua vida (um elogio não despiciendo, vindo de alguém com a idade, o percurso e o universo temático de Paula Rego, referindo-se a um dramaturgo — Martin McDonagh — nascido em 1970). Nas palavras de Paula Rego: «Vi aquela peça e pensei: “Como é que há pessoas que sabem isto?”»

(Interessante: quando vi a peça no TNSJ pensei: «Como é que ele se lembra destas coisas?!» — mas Paula Rego viu melhor: McDonagh não inventa aquilo, ele sabe que aquilo existe!)

A pintora dedicou-lhe um tríptico:

'The Pillowman' (tríptico), de Paula Rego(Há mais informação sobre esta obra — e a peça que a motivou — na reportagem do Público e no site da Tate.)


Agustina Bessa-Luís, Paula Rego e Martin McDonagh: ora aí está uma mesa-redonda para nos deixar de olhos arregalados!

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07 dezembro 2006

#  Palhaçadas

cartaz de '68'Ontem à noite fui à Associação Espontânea ver uma peça da companhia Útero («68», a partir de Samuel Beckett). À entrada disseram-me estar lá dentro, acompanhado de um «agente da autoridade» (trajando à civil), um delegado da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), que levantava problemas relacionados com o (não) pagamento de direitos de representação.

Após uma espera de quase meia hora, disseram-nos que passássemos ao andar de cima (onde decorreria o espectáculo). Íamos ainda a subir as escadas, quando nos mandam parar e esperar ali mesmo. O ambiente estava tenso. Algo se passava, pensei. Então, ao fundo do corredor surgiu um palhaço com cara de poucos amigos.

Confesso: por uma fracção de segundo julguei que fosse o delegado da SPA.

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27 setembro 2006

#  Hoje e amanhã, teatro na Espontânea

Cartaz de 'O Político e o Alcoólico'O Político e o Alcoólico, com Paulo Castro e Miguel Moreira.
Encenação e texto de Paulo Castro.
27 e 28 de Setembro, 22h, na Associação Espontânea.

(A Espontânea é um novo espaço cultural e de convívio em Vila Real.)


Associação Espontânea
(Clique no logotipo para visitar o site da Espontânea)

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16 maio 2006

#  Sobe o pano!

Discordo de J. Rentes de Carvalho, que não gosta de teatro. Diz ele:
Ao contrário do cinema, onde o falso é eficientemente camuflado, o teatro não conhece o disfarce e espera do público a mesma crença ingénua que as crianças têm nos espectáculos de robertos. Em consequência os actores rebolam os olhos, agitam os braços, falam arrevesado, dão passos e fazem gestos que não são a representação artística dos da vida, mas o seu ridículo exagero. O cinema é a apoteose da ilusão, o teatro é só falsidade.

A grande vantagem do teatro — pelo menos do teatro que eu gosto — é que não requer do público qualquer adesão ao faz-de-conta, qualquer «crença». Libertos dos escolhos da fé, podemos mais livremente concentrar-nos nas palavras, nas ideias. E eu adoro umas e outras.

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