foto: Bruno Espadana

29 março 2009

#  Nos dias que correm, não se pode morrer em paz

Enquanto continuam a chegar os pêsames pelo fim do site www.periferica.org («the second death of Periférica»...), alguém me recorda que a Internet Archive Wayback Machine guarda a cibermemória de sites passados.

Para os interessados em necrologia, aqui vai:
http://web.archive.org/web/*/http://www.periferica.org

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18 março 2009

#  Requiescat In Pace*

A revista Periférica durou de Abril de 2002 a Janeiro de 2006. Até ontem, por uma questão de nostalgia mantive o site activo, quase como uma mãe que se recusa a largar o corpo do filho morto. 17 de Março era a data-limite para a renovação da assinatura anual do domínio periferica.org. Esqueci-me.

A revista Periférica morreu de vez. Que descanse em paz.





* Obrigado ao Jorge Carvalheira pela correcção do latinório. :o)

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02 fevereiro 2008

#  A irrelevância de estar morto

Contracapa ('The Vilarelher') e Capa da 'Periférica' n.º 14Fez dia 31 de Janeiro precisamente dois anos que saiu o último número da Periférica. Apesar de já levar dois anos e dois dias de defunta, a revista continua a receber propostas de colaboração (não só de autores ou candidatos a tal, mas também de voluntários para a enfadonha tarefa de rever textos)...

Quase que me comove que ainda haja quem se reveja no “cadáver”, mas esta irrelevância de estar morto tem o seu não tão agradável reverso da medalha: esconde na sua sombra a irrelevância de estar vivo.

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13 maio 2007

#  Riber Hansson

Depois de Boligán (cartoonista cubano radicado no México, que por mais de uma vez colaborou com a Periférica) ter ganho o Grande Prémio e o 1.º Prémio na categoria de Desenho de Humor do World Press Cartoon 2006, eis que o sueco Riber Hansson, outro colaborador da extinta Periférica, ganhou o Grande Prémio e o 1.º Prémio na categoria de Caricatura no World Press Cartoon 2007.
(Boligán — um habitué também entre os premiados do PortoCartoon — arrecadou uma menção honrosa do Desenho de Humor.)

Tudo isto são factos de há um mês atrás, ou coisa assim, mas só agora o soube, ao folhear o catálogo do evento. Deixo-o aqui registado, para que conste.

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18 setembro 2006

#  Os CTT atacam de novo

Vinha precisamente de meter nos Correios uma carta de reclamação (que escrevera em nome de uma tia minha) motivada pelo estado deplorável de alguma correspondência recebida (incluindo uma cobrança postal — daquelas que dizem «não dobrar, não molhar, contém impresso para processamento por computador» — rasgada e com um pedaço em falta). Pois ia a reentrar em casa, quando reparei que uma caixa de correio vizinha (de uma casa desabitada) estava entreaberta, como se tivesse algo lá dentro. Como não seria nem a primeira nem a segunda vez que punham correspondência minha nessa caixa (entre outras permutações que os carteiros experimentam pela vizinhança, apesar de as caixas identificarem claramente os nomes dos respectivos proprietários), decidi espreitar lá para dentro, não fosse haver algo que se me destinasse.

A princípio não reconheci a massa amorfa. Podia ser publicidade a um hipermercado ou outra coisa qualquer, tal era o grau de “amarfanhação” do que estava lá dentro. Então reparei numa letra com uma forma conhecida — um “N” inconfundível — e soube que aquele... cadáver... fora em tempos um exemplar da minha assinatura da New Yorker!

É difícil descrever o estado em que encontrei a revista. Mesmo que a mostre agora a alguém, a visão fica aquém da realidade de então, pois a operação de “desencarceramento” (foi disso que se tratou), se não a deixou propriamente de boa saúde, deu-lhe pelo menos um ar mais digno. Que mais não seja, já ocupa mais área, assumindo uma forma quase reconhecível como tendo em tempos sido plana (com significativos acidentes... “orográficos”). Porque a palavra mais adequada à forma que a revista assumia dentro da caixa de correio da casa vizinha é “rodilha”. Tinha sido selvaticamente dobrada e amarfanhada como um pano velho, e enfiada pela ranhura da caixa em jeito de tapulho; a largura da New Yorker exige algum cuidado e jeito na introdução na maioria das caixas de correio, mas o carteiro conseguira o feito de “adaptar anatomicamente” o seu comprimento a uma ranhura 5 ou 6 cm mais curta.

Em Março de 2005 escrevi no blogue da Periférica:
Quando entro numa Estação de Correios, à cautela tiro logo um formulário de reclamação.

Um ano e meio depois, a medida antecipatória continua a justificar-se.

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02 agosto 2006

#  Retiro

Nos próximos dias (semanas?) eu e o mundo não diremos grande coisa um ao outro. Não prevejo a leitura de outros blogues, nem a compra e a leitura regulares de jornais, principais fontes de inspiração deste blogue (embora por vezes possa não parecer).

Vou dedicar-me a outras leituras: consumir a “gordura bibliotecária” acumulada ao longo dos meses e dos anos. Ocasionalmente, um DVD ou outro, um cinemita aqui ou ali.

(c) Pascal Thivillon

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24 maio 2006

#  Erwin Olaf

Erwin Olaf, fotógrafo holandês que a Periférica “apresentou” ao país, foi recentemente considerado «Photographer of the Year (1st Place — Outstanding Achievement)», no âmbito dos International Color Awards.

A seguir, algumas fotografias deste grande fotógrafo. As duas primeiras pertencem ao portefólio «Royal Blood», aquele que publicámos no n.º 5 da revista Periférica. As duas seguintes integram um portefólio mais recente, «People of the labyrinth» (uma interessante homenagem ao período áureo da pintura holandesa e flamenga). A última é de «Chessmen, an attempt to play the game», série de 32 fotos a preto e branco.

Jackie Kennedy / (c) Erwin Olaf
Jackie Kennedy

Diana / (c) Erwin Olaf
Diana

People of the labyrinth / (c) Erwin Olaf
People of the labyrinth / (c) Erwin Olaf
Chessmen / (c) Erwin Olaf

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17 maio 2006

#  Nós já sabíamos!

'Auto-retrato com rosa', de Ricardo LeiteRicardo Leite venceu o Prémio Revelação de Pintura da Caixa Geral de Depósitos. Para nós, que vai para dois anos lhe publicámos um portefólio e o fizemos figurar na capa da Periférica n.º 10, Ricardo Leite não é uma revelação, mas uma confirmação.

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13 maio 2006

#  Leituras a metro

Um percurso literário pelo Metro de Lisboa


Guia Prático do Utilizador
Logotipo (alternativo) do Metro de LisboaEm muitos Metros lê-se por todo o lado (no de Lisboa nem por isso). O de Madrid tem mesmo tradição de campanhas de promoção da leitura (a Administração do Metro de Lisboa desconhece o conceito). Resolvido a colmatar tal lacuna, sugiro aqui um roteiro literário/guia de leitura para toda a extensão da rede, incluindo obras em curso. As escolhas* foram ditadas pela existência de alguma relação — por vezes estranha — entre as linhas e estações (ou zonas envolventes) e os livros em causa. À parte, também a versão light (pluralismo oblige).

* Por vezes mais de uma por estação (ver lista).

Um percurso literário pelo Metro de Lisboa
(Clique no mapa para ampliar)

Alameda: O homem que quis ser rei (Rudyard Kipling)
Alfornelos: Toda a Terra (Ruy Belo)
Alto dos Moinhos: Dom Quixote de La Mancha (Miguel de Cervantes)
Alvalade: Muros (Júlio Machado Vaz); Os sete loucos (Roberto Arlt); Insânia (Hélia Correia)
Amadora Este: A Leste do Paraíso (John Steinbeck)
Ameixoeira: Oranges Are Not the Only Fruit (Jeanette Winterson)
Anjos: O Anjo Ancorado (José Cardoso Pires)
Areeiro: A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho (Mário de Carvalho)
Arroios: As Inumeráveis Águas (Nuno Júdice)
Avenida: Avenida Névski (Nikolai Gógol)
Baixa-Chiado: A Cruz de Santo André (Camilo José Cela) & O Livro do Desassossego (Bernardo Soares)
Bela Vista: Uma mancha na paisagem (Tom Sharpe)
Cabo Ruivo: Passagem do Cabo (Maria Ondina Braga)
Cais do Sodré: Três homens num barco (Jerome K. Jerome)
Campo Grande: A Casa Verde (Mario Vargas Llosa)
Campo Pequeno: Rol de Cornudos (Camilo José Cela); Fiesta (Ernest Hemingway)
Carnide: Enciclopédia dos Mortos (Danilo Kiš)
Chelas: A Colmeia (Camilo José Cela)
Cidade Universitária: O Livro do Riso e do Esquecimento (Milan Kundera)
Colégio Militar/Luz: Pantaleão e as Visitadoras & Conversa na Catedral (Mario Vargas Llosa)
Entre Campos: A Feira dos Assombrados (José Eduardo Agualusa)
Intendente: Memória das minhas putas tristes (Gabriel García Márquez)
Jardim Zoológico: Bichos (Miguel Torga); O triunfo dos porcos (George Orwell); Más de cien bestias atrapadas en un punto (Salvador Gutiérrez Solís)
Laranjeiras: A Laranja Mecânica (Anthony Burgess)
Lumiar: Céu em Fogo (Mário de Sá-Carneiro)
Marquês do Pombal: Sebastião José (Agustina Bessa-Luís)
Martim Moniz: História do Cerco de Lisboa (José Saramago)
Odivelas: Contos do Extremo Norte (Jack London)
Olaias: A Guerra das Laranjas (António Ventura)
Olivais: África Minha (Karen Blixen)
Oriente: Contos Orientais (Marguerite Yourcenar)
Parque: Eu que Servi o Rei de Inglaterra (Bohumil Hrabal)
Picoas: Os Filhos da Droga (Christiane F.)
Pontinha: Pisar o Risco (Salman Rushdie); Lulu on the Bridge (Paul Auster)
Praça de Espanha: O Senhor Embaixador (Erico Veríssimo); The Catcher in the Rye (J. D. Salinger); Praças e Quintais (Rui Pires Cabral)
Quinta das Conchas: O Búzio de Cós e outros poemas (Sophia de Mello Breyner Andresen); O Estrangeiro (Albert Camus)
Rato: Of Mice and Men (John Steinbeck)
Restauradores: Os Dragões do Éden (Carl Sagan); Comboios Rigorosamente Vigiados (Bohumil Hrabal)
Roma: A Cidade Queimada (Mário Cesariny)
Rossio: O Visconde Cortado ao Meio (Italo Calvino)
Saldanha: O Sr. Ministro (Camilo Castelo Branco)
Santa Apolónia: Trainspotting (Irvine Welsh); O homem que via passar comboios (Georges Simenon)
São Sebastião: Eu hei-de amar uma pedra (António Lobo Antunes)
Senhor Roubado: Ruba’iyat (Omar Khayam)
Telheiras: A Cabana do Pai Tomás (Harriet Beecher-Stowe); Abrigos (António Pinto Ribeiro)
Terreiro do Paço: Manhã Submersa (Vergílio Ferreira)


linha Azul: Ave-do-Arremedo (Walter Tevis)
linha Amarela: A Orelha de Van Gogh (Moacyr Scliar)
linha Verde: História Trágico-Marítima (Bernardo Gomes de Brito)
linha Vermelha: Crime no Expresso do Oriente (Agatha Christie)

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#  Leituras a metro: versão light

Um percurso literário pelo Metro de Lisboa


Como seria se o Metro de Lisboa fosse um metropolitano ligeiro de superfície.*

(Clique no mapa para ampliar)

* Superficial, portanto.


Existe também uma versão não-light.

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11 maio 2006

#  Infelizmente

Opina José Mário Silva:
ESCREVER SEMPRE
No romance Lo demás es silencio, o autor guatemalteco Augusto Monterroso inclui um «Decálogo del escritor». A primeira lei desse decálogo é esta:
Cuando tengas algo que dicir, dilo; cuando no, también. Escribe siempre.
Tomara que fosse assim tão fácil.

Quatro anos a receber (e a rejeitar) propostas de publicação na Periférica mostraram-me que, em especial no caso da “poesia”, infelizmente é assim tão fácil.

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06 abril 2006

#  Meditações

Recentemente um amigo que escreve num blogue da concorrência ofereceu-me três livros da colecção “Great Ideas” da Penguin Books. Fico agradecido, claro — mas não consigo deixar de me pôr a pensar.

O que até é uma coisa boa: não só porque pensar geralmente o é (que mais não seja, para não perder a prática), mas principalmente porque o primeiro desses livros é, precisamente, Meditations de Marco Aurélio. Pelo andar da carruagem, a quarta meditação do Livro 1 afigura-se cada vez mais aconselhável — permitissem-no os meios económicos e a lei portuguesa:
To my great-grandfather I owed the advice to dispense with the education of schools and have good masters at home instead — and to realize that no expense should be grudged for this purpose.
(Nisto, ser Imperador facilita um pouco.)

Pergunto-me se, na opinião do meu amigo, o segundo livro se justifica como meio de me convencer a enveredar pelo bom (?) caminho, ou se na escolha está implícito que já por lá ando — faltando-me a fundamentação ética para tal. É que, podendo oferecer-me On Friendship, de Michel de Montaigne (disponível na mesma colecção), achou por bem optar por On the Pleasure of Hating, de um tal de William Hazlitt. Na capa:
Love turns, with a little indulgence, to indifference or disgust: hatred alone is immortal.

Finalmente, que relação existirá entre mim e Confessions of a Sinner, de Santo Agostinho?! Nenhuma! Não há identificação possível. Bem mais natural seria ter-me dado Why I am So Wise, de Friedrich Nietzsche. Ou também isto vou ter de descobrir por mim?...

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04 abril 2006

#  El Grand Masturbador

O Paulo Araújo, meu co-subdirector da Periférica, bem tenta disfarçar — mas eu sei o que ele anda a fazer...

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13 março 2006

#  A retaliação

Se ele não escrevesse num blogue da concorrência, diria aqui que J. Rentes de Carvalho tem desde há uns dias o seu próprio site. Assim não digo.

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#  O horror, o horror...

Incrédulo, descubro na blogosfera que um dos meus melhores amigos é a Clara Ferreira Alves.

Então, a súbita tomada de consciência: E se...?

Horrorizado pela perspectiva, deito mão à carteira, buscando o Bilhete de Identidade com mãos trémulas. A confirmação cai como um balde de água fria: eu sou o Pedro Santana Lopes!

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06 março 2006

#  Corta-fita

Teoricamente, este blogue começou a 9 de Fevereiro, data do primeiro post.
De facto, começou a 23 — mas achei que os meus posts mais recentes no blogue da Periférica deveriam passar para a nova morada.
Na prática, o Não tenho vida para isto começou na sexta-feira passada, dia em que publiquei aqui o primeiro post não publicado simultaneamente no blogue da Periférica.
Oficialmente, a fita é cortada hoje, após o regresso do funeral do A Oeste Nada de Novo.

(c) Pascal Thivillon

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